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Análise: Grow Home – uma experiência indie encantadora

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Grow Home-Uma experiência visual arrebatadora construída no Unity

Queridos amigos e amigas, compartilho com vocês que Grow Home foi uma ótima surpresa para mim. Freebie de setembro para assinantes da PS Plus, é um daqueles jogos que me chamam a atenção, adiciono à biblioteca e acabo esquecendo de baixar. Ao ver a continuação anunciada na E3 fui ver o preço na PlayStation Store e me surpreendi ao ver que já possuía o game na biblioteca. O jeito foi baixar e entre minhas jogatinas hardcore de The Division, tentar entender o mundo que BUD precisava construir.

Grow Home foi anunciado pela Ubisoft apenas duas semanas antes de seu lançamento e é um daqueles experimentos que mostram o benefício que deixar espaço para aquele “espírito indie” pode trazer a um grande estúdio. O game foi desenvolvido por um pequeno time na Ubisoft Reflections, estúdio que co-desenvolveu Far Cry 3 e Watchdogs.

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Em Grow Home você é um robozinho vermelho e desengonçado que parece ser feito de lego chamado BUD (Botanical Utility Droid), em um pequeno planeta feito de ilhas flutuantes com alguma fauna e flora, desenvolvido no Unity. Sua tarefa ali, como explicado pela “Mamãe” ou M.O.M. – um computador que acompanha o trabalho de BUD enquanto solta algumas piadinhas – é estimular o crescimento de uma Planta Estelar gigante até que a mesma produza sementes e você as leve para casa. Lembra de João e o Pé de Feijão? Você tem que fazer o pé de feijão crescer pra burro!

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A tarefa que parece simples se torna extremamente desafiadora até você pegar o jeito do jogo e aprender a controlar BUD, que como mencionei é um robô desengonçado. Para fazer a tal Planta Estelar você precisa conectar algumas de suas seções às ilhas flutuantes que possuem uma base formada por cristais verdes (?). Parece fácil, mas controlar o crescimento da planta é realmente complicado, já que a coisa parece ter vontade própria e você precisa também criar uma planta que ofereça o mínimo de navegação possível para que o crescimento seja sustentável e BUD não corra o risco de entrar em queda livre a quilômetros de altura.

Grow Home tem a intenção de ser um daqueles jogos engraçadinhos e fofos que te fazem rir enquanto você joga mas confesso que comigo só funcionou nas primeiras vezes. Depois de algum tempo fiquei tão envolvido com a ficção proposta e centrado na tarefa que me foi passada, que deixei de achar graça nas piadinhas ou elementos inusitados que apareciam no cenário para me ocupar com cálculos e planejamento para fazer as subidas mais certeiras. As primeiras ilhas flutuantes estão próximas e são fáceis de conectar mas a dificuldade aumenta conforme a planta ganha altitude.

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Verdade é que levei cerca de 3 horas para fazer minha Planta Estelar florescer mas Grow Home tem um ritmo interessante com uma mecânica peculiar e algum desenvolvimento de personagem que conseguem ser bem explorados no pouco tempo que você presumidamente controlará BUD. Sabe aquela sensação de evolução combinada a dever cumprido? É assim que me senti jogando Grow Home.

Ao pegar cristais encrostados nas rochas, você ganha pontos para acessar novas mecânicas de BUD, que são facilmente assimiladas. Coisas simples como o zoom da câmera não estão acessíveis no começo da aventura e se mostram cruciais com o desenvolvimento da Planta Estelar. Estes cristais são o estímulo necessário para você explorar o cenário horizontalmente também e a alegria está na descoberta. Grow Home trata-se de uma experiência de simplicidade mas com um encanto peculiar.

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Apesar da Planta estelar ter seções que em nossa mente adulta deturpada podem parecer fálicas (os brotos parecem pintos!), Grow Home tem um ar infantil. Meu sobrinho de 2 anos se encantou com “Obô diebo” (Robô Vermelho) e seu mundo poligonal multicolorido. A equipe desenvolvedora mencionou em algumas reportagens que BUD foi inspirado em robôs como Wall-E e Marvin (Guia do Mochileiro das Galáxias) e até a maneira desengonçada como ele se move tem um ar infantil. BUD às vezes começa a correr quase que descontroladamente, como um bebê que acaba de aprender a andar e ainda não possui total controle sobre as pernas. É fofinho até a primeira vez que você se vê caindo de 1.5 km de altura rumo ao começo do cenário graças a estas estripulias.

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Segundo a Ubisoft o estilo peculiar de controle do BUD é resultado da chamada “animação procedural“. Você controla suas mãos separadamente, uma com cada gatilho (não vejo este game sendo jogado sem o auxilio de um controle, sério!) e quando você está escalando corpo do robô balança. Algumas vezes perdi o equilíbrio e caí graças ao “peso” do corpo do nosso amiguinho vermelho. Nessas horas o jeito é apertar o botão de auto-destruir e respawnar no último checkpoint (você vai desbloqueando teleporters conforme desenvolve sua Planta Estelar). Apesar de ser lindo e fofinho, Grow Home dificilmente entraria nas nossas listas de Jogos para curtir com a namorada, dados os controles relativamente complexos (a não ser que sua namorada seja hardcorzinha) mas é um colírio pixelado para todos os olhos apreciarem. Vale lembrar que a música é no melhor estilo Interestelar de “Hans Zimmer dormiu em cima do órgão”, e está lá apenas para preencher um espaço e lhe ajudar a identificar a posição dos cristais.

No geral, Grow Home foi uma experiência agradável apesar de breve e assim como Valiant Hearts me fez refletir sobre a nobreza do espírito indie que mantém a francesa Ubisoft entre os principais estúdios de desenvolvimento de jogos eletrônicos há 30 anos. Que venham mais indiezinhos agradáveis deste tipo e se posso fazer um pedido é que não façam eu me apegar em tão pouco tempo para depois acabarem. 😉

#somostodosgamers

DS


Grow Home - PS4

Grow Home - PS4
7.125

História

7/10

    Jogabilidade

    9/10

      Gráficos

      9/10

        Música

        4/10

          Pros

          • Espírito Indie
          • Plot
          • Personagem Carismático

          Cons

          • Controles podem ser desafiadores
          • Jogo muito curto
          • Música passa despercebida

          Sobre Diego Silveira

          25 publicitário e apaixonado por games e música. Nostálgico, adora consoles retrô e tatuou um controle de Super Nintendo no braço para lembrar a infância. Consome doses cavalares de pizza e café, além de beber feito um viking. PSN: oPatto

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